December 12, 2019
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por
Ivete Quintela

Aldeia Cannabis instala-se nas Caldas da Rainha e procura investidores

A Aldeia Cannabis, start-up canadense, aguarda aprovação para iniciar produção de canábis medicinal nas Caldas da Rainha

A Aldeia Cannabis, sediada em Toronto, no Canadá, está pronta para lançar raízes à terra em Portugal, num negócio que é de escala global. A start-up aguarda a aprovação do Infarmed para dar início à produção de canábis medicinal nas Caldas da Rainha.

CALDAS DA RAINHA

Santa Catarina é uma vila portuguesa localizada no Concelho das Caldas da Rainha, Distrito de Leiria, com  3.029 habitantes. Santa Catarina foi elevada a vila em 1991. As atividades econômicas da região são predominantemente a Cutelaria, Marroquinaria e a Agricultura.

Caldas da Rainha fica a cerca de 90 km do aeroporto internacional da Portela, em Lisboa. O percurso mais indicado é o da Autoestrada A8, que liga Lisboa a Caldas da Rainha em menos de sessenta minutos de viagem automóvel.

Anexo ao Hospital Termal Caldas da Rainha - Foto @vpdicas

Fundada pela Rainha Dona Leonor em 1495, a cidade desenvolveu-se em torno do Hospital Termal que, ao fim de cinco séculos de existência, continua a receber anualmente centenas de aquistas que nestas termas procuram tratamento e repouso.

A cerâmica é uma forte presença artística que ainda hoje molda a imagem das Caldas. Perde-se no tempo a tradição ceramista desta cidade. Figuras como Maria dos Cacos, Manuel Cipriano Gomes (o “Mafra”), Francisco Elias e Rafael Bordalo Pinheiro, deram à cerâmica das Caldas as características que a celebrizaram.

QUAL O PORQUÊ DA ESCOLHA PELAS CALDAS DA RAINHA

Por Link To Leaders

As condições privilegiadas de Portugal, especialmente nesta região Oeste, com bom clima, horas de exposição solar, terrenos baratos, mão de obra qualificada na área agrícola e a preços competitivos,estão a atrair dezenas de interessados em tornar o País na porta de entrada para o mercado europeu de canábis medicinal. 

A Aldeia Cannabis é disso exemplo.

“Somos uma start-up de canábis que está prestes a iniciar uma instalação de cultivo para pequenos lotes de canábis medicinal no distrito de Leiria. Estamos sediados no Canadá, mas temos raízes portuguesas, por isso decidimos levar as nossas operações de cultivo para Portugal, mantendo os nossos contratos de fornecimento com os nossos clientes norte-americanos”,

começa por contar Kyle Leite, CEO da Aldeia Cannabis ao Link To Leaders.

A Aldeia Cannabis começou em Toronto, no Canadá, disponibilizando canábis medicinal a médicos, mas hoje os seus objetivos vão além-fronteiras. “Decidimos relançar e expandir a nossa operação, mas queríamos cultivar no exterior, onde pudéssemos fazer mais investimentos. Decidimos levar o cultivo para Portugal, onde outros produtores canadianos de canábis já estão a operar. Com raízes no continente e nos Açores, sabíamos que não havia lugar melhor para levar os negócios do que para Portugal”, frisa o empreendedor, que conta com uma equipa com experiência em cultivo de canábis, segurança física e biológica e neurologia (instituto de neurociência – Dr. Manuel Laranjeira).

Aldeia Cannabis quer iniciar ao processo de construção de uma instalação de última geração na cidade de Santa Catarina, nas Caldas Da Rainha (Leiria). Os terrenos consistirão numa instalação de cultivo de 1500 m2, com uma abordagem de agricultura vertical, capaz de produzir entre 8 a 10 toneladas de canábis medicinal anualmente. O terreno conta com 1.4 hectares.

Segundo Leite, o cultivo indoor permite manter condições ambientais precisas e com programas de irrigação e fertilização totalmente automatizados que podem ser controlados para obter mais qualidade e rendimento.

RECURSOS SUSTENTÁVEIS

Para além disso, a start-up quer diminuir a pegada de carbono. “Acreditamos no uso de recursos sustentáveis para reduzir a nossa pegada de carbono o menor possível, de modo que a Aldeia Cannabis usará energia solar para abastecer as suas instalações e um sistema de reciclagem de água para maximizar o nosso uso de água e controlar os nossos resíduos. A instalação recorrerá apenas de iluminação LED nas salas de cultivo, corredores e escritórios, reduzindo ao máximo o nosso consumo elétrico”, revelou Leite.

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LABORATÓRIO E CLÍNICA PARA TESTES

Numa segunda fase, o objetivo da Aldeia Cannabis é aumentar o espaço de cultivo e, consequentemente, a capacidade de produção. A estratégia passa também por criar um espaço de cultivo ao ar livre para a produção de canábis e cânhamo com alto teor de canabidiol (CBD) para “processamento, para criar óleos e outros produtos com infusão da canábis, e ainda laboratórios de pesquisa e uma clínica no local para testes”.

Leite prevê que “irão empregar entre 75 a 100 pessoas no primeiro ano de atividade e que conseguirão duplicar a força de trabalho nos primeiros dois a três anos. Queremos exportar para o mercado canadiano e europeu. 

INSTALAÇÕES CERTIFICADAS

Como as nossas instalações serão certificadas pela EU-GMP, seremos elegíveis para vender os nossos produtos ao mercado europeu”.

Para atingir esta meta, a Aldeia Cannabis investirá 3 milhões de euros nos primeiros cinco anos em infraestruturas, expansão e pesquisa e desenvolvimento. Até lá, a start-up está a aguardar a aprovação da Infarmed, que regula e supervisiona o ciclo desde o cultivo, incluindo autorizar medicamentos, preparações e substâncias à base da planta da cannabis, além de aprovar as indicações terapêuticas.

CONVITE AOS INVESTIDORES

Se algum investidor se quiser juntar ao projeto, também será bem-vindo, concluiu Leite.

Mercado mundial vs mercado português da canábis

Dados da Grand View Research estimam que o mercado mundial da canábis legal atinge 130 mil milhões de euros até 2025, a maior fatia (88 mil milhões de euros) para uso medicinal, legalizado em 35 países ou territórios. Já a Arcview Market Research aponta para valores consideravelmente mais baixos: consumo legal em 2027 a valer 51 mil milhões de euros e apenas um terço a vir do uso terapêutico.

POTENCIAL DE MERCADO

Em Portugal, os números parecem promissores. O The European Cannabis Report, lançado pela consultora estratégica Prohibition Partners, aponta para um mercado potencial de 1 100 milhões de euros em 2028, vindo a maioria desse valor (600 milhões de euros) do uso recreativo, ainda por legalizar. E avalia o mercado negro de canábis em Portugal em pelo menos 106 milhões de euros por ano.

Distância entre a Capital Lisboa e as Caldas da Rainha, Leiria

Resumo

Fonte: Link To Leaders 09/12/2019
Área: Saúde
Produto: Cannabis Medicinal
Mercados: Brasil, Espanha, França, Itália
Necessidade: Parceiros e investidores
Contacto: kyleleite@aldeiacannabis.com


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