Dicas – O que fazer em Lisboa de forma divertida, fora do comum e gastando pouco
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Assim que  amanheceu o dia sobrevoamos a ponte 25 de abril para aterrizar no aeroporto de Lisboa e foi ali que cada um de nós percebeu que agora era pra valer.

Por Rodrigo Prates – 30/01/2018

Saímos do Brasil no dia dez de dezembro, mas na verdade, nossos corações já pulsavam além mar aproximadamente há um ano. Trabalhamos com Literatura e canções para as crianças há dezesseis anos. Circulamos  o país com o apoio do Ministério da Cultura e da Educação, Sesc, Grupo JCPM, Prefeitura de São Paulo entre outros patrocinadores da Cultura local e, sair da nossa pátria mãe, foi a decisão mais difícil das nossas vidas. Óbvio que ninguém migra de algum lugar se está confortável nele, parafraseando o Leandro Karnal. Viemos para a Europa, pois o futuro nos assustou. Assombrou o tempo que chega invariavelmente junto com a idade. Ser autónomo no Brasil requer um coragem que não tivemos. Ficamos com medo e o medo, assim como a dor, nos alerta que alguma coisa estranha está acontecendo.

Decidimos morar em Belas. Quer dizer, a vida decidiu por nós. Foi uma feliz coincidência, mas esta é outra história que conto depois. Lisboa tem uma luz incrível e o frio não incomoda. Sou do Rio Grande do Sul e quem é de lá, sabe do que estou falando. Minha mulher é Paulistana e São Paulo tem seus dias de inverno também. Aliás, já sentimos bastante frio em São Paulo. Há um mês e meio estamos colhendo os frutos da árvore que plantamos quando escolhemos imigrar. Não é fácil, mas tenho certeza da nossa escolha. Existe sim um pessimismo no povo Português. Eles parecem o Fado em sua personificação. Porém, são atenciosos, gostam de conversar e já fizemos bons amigos portugueses.

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O que mais nos impressiona aqui é o poder da moeda. É incrível o que se faz com o Euro! Perto da minha casa, tem uma padaria e conseguimos tomar um delicioso café da manhã com pouco mais de dois Euros. Vamos ao mercado e compramos frutas, legumes, iogurtes, cereais por vinte e poucos Euros. Sem falar nas Quintas, nos mistérios, no sotaque, nas gírias… Em alguns momentos choro de saudade, pois tenho dois filhos que ficaram em terras Verde e Amarela, mas estou fazendo a minha parte para eles também. Estudar no Brasil está ficando cada vez mais difícil.

A Ivete, daqui do VPdicas, disse que o sobrenome de todos que saem do seu país de origem é saudade. Esta frase é perfeita e nos identificamos muito com ela. Nosso objetivo agora é seguir com o Projeto Zuando Som. Já fizemos o primeiro concerto e percebi a energia das miúdos. Eles são fixes! Receberam as canções de braços abertos. Brincaram, cantaram e entenderam perfeitamente o que eu estava transmitindo. A comunicação não poderia ter sido melhor. Apenas sentimos certa resistência dos adultos com a língua brasileira na hora de oferecer o nosso produto cultural. Talvez por receio da confusão entre as línguas na alfabetização. O acordo ortográfico não foi visto positivamente pela parte mais conservadora portuguesa e, pasmem, por alguns brasileiros deslumbrados.

Se hoje, alguém perguntasse a minha opinião sobre imigrar, responderia sim. Legalizado sim! Pode parecer precipitado da minha parte, mas sinto que somos um pouco daqui. Sei que o meu povo tem parte, inclusive financeira nestes castelos, ruas e avenidas. É fácil ficar apaixonado por Portugal. Quem não aprecia um bom vinho? Quem não gosta de comer bem? Quem não quer segurança? Porém, tudo na vida requer um plano, planejamento, tempo e fé. Vir ilegal eu não recomendo. Alguns amigos nossos do Brasil, olham as  fotos e textos que postamos e ficam empolgados querendo vir a qualquer custo. Eu sempre sou o chato repetindo que para vir tem que fazer algo que contribua para Portugal crescer positivamente. Não viemos apenas usufruir deste lugar especial, estamos trazendo um novo conceito de entretenimento e educação.

Nem completamos dois meses por aqui e já somos gratos ao povo português. Tenho certeza que vamos deixar a música e a Literatura de Portugal ainda mais gira!

Fé e Pé!

Assina: Família Saudades

Rodrigo Prates é Músico e Colaborador VPDICAS

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Literatura e Música Infantojuvenil  Paula Cardoso                                        Produtora Cultural

Fone: + 351 967 708 906

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