“Um salário de €580, €600 ou mesmo €615 não é digno”

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Economia

Os empresários têm de oferecer um plano de crescimento para o país, diz Peter Villax, presidente da Associação das Empresas Familiares

Por SÓNIA M. LOURENÇO

“Mil euros ou mais.” É para esse patamar que Portugal deve apontar no salário mínimo, diz Peter Villax, presidente da Associação das Empresas Familiares. Numa altura em que a concertação social discute o valor para 2019, sendo conhecido o compromisso do Governo de um aumento para €600, com os sindicatos a reivindicarem que se vá um pouco mais longe e as associações patronais a rejeitarem essa possibilidade, Peter Villax diz, em entrevista ao Expresso na semana em que assinalou o 20º aniversário da associação com a conferência “As Empresas Familiares 4.0”, que “precisamos de ter salários dignos. E um salário de €580 euros, €600 ou mesmo €615 não é digno”. A dar força à sua voz está uma associação com 312 empresas associadas, entre as quais algumas das maiores do país, como o Grupo Mello, a Mota Engil, o Grupo Luís Simões, ou a Impresa, proprietária do Expresso.

Foto ANA BRÍGIDA

Muito crítico da concertação social em Portugal, que “serve para nos enganarmos uns aos outros” e do modelo sindical, “anacrónico, que continua baseado na luta de classes e não consegue dar resposta a fenómenos típicos da economia baseada no conhecimento”, Peter Villax alerta que os baixos níveis de produtividade em Portugal “traduzem-se em baixas margens de comercialização e balanços fracos das empresas”. Por isso, “para termos salários dignos temos de ter crescimento económico. Temos de ter um objetivo ambicioso de 4% ao ano”. Caso contrário, “se os ordenados sobem mais do que a produtividade está a descapitalizar-se as empresas e a criar uma economia mais frágil”. O resultado ficou à vista em 2011, quando “tivemos de tomar decisões muitíssimo dolorosas. O ajuste feito pelos salários nominais produziu, efetivamente, uma recuperação da produtividade, mas a um custo humano e social muito elevado”, lembra Peter Villax.

A tese do líder das empresas familiares é clara: “Os empresários têm de oferecer um plano de crescimento para o país. Já se viu que não é o Governo que vai propor esse plano.” Villax defende que, na concertação social, “os empresários devem dizer quais são as suas condições para termos um crescimento muito superior”. E aponta algumas linhas mestras: “Precisamos de crescimento assente em produtos industriais de qualidade para exportação. Isso é o motor de riqueza do país, mais do que os serviços.” Ao mesmo tempo, “precisamos de orçamentos a três anos e de estabilidade orçamental, legislativa e fiscal”, o que “não tem havido”.

Lembrando que “o Estado já nos deu infraestruturas de telecomunicações extraordinárias, como nem nos Estados Unidos existem, infraestruturas rodoviárias ao nível da Alemanha, um bom sistema de ensino e um bom sistema de saúde”, faltando apenas a “ligação ferroviária de Sines à Europa”, Peter Villax diz que é hora de “gestores e empresários arregaçarem as mangas”. Mas, “isso tem de ser feito em colaboração com o Governo e com os sindicatos”. O problema é que em Portugal, “os políticos dizem que querem apoiar os negócios“, mas “é mentira. Existe em Portugal uma cultura antinegócios muito forte. Histórica. O sucesso é mal visto”, enfatiza.

ANTÓNIO COSTA: CONFIANÇA E DEMAGOGIA

A recuperação da confiança no país é, para o gestor, “o grande mérito” do atual Governo. “A grande vitória de António Costa é ter posto os portugueses a acreditar neles de novo e tem imenso mérito nisso”, defende, lembrando que “fez da confiança um ativo muito importante, porque relançou o consumo”.

Quanto a deméritos, aponta a “demagogia”. Nomeadamente, nas críticas às empresas. “Dizer que as empresas têm culpa porque pagam pouco às pessoas da parte de baixo da escala e muito às pessoas da parte de cima da escala é demagogia”, argumenta Peter Villax. E defende: “Temos de ver quais são as condições económicas para que quem está a ganhar menos passe a ganhar mais, porque as empresas produzem e exportam mais e, ao mesmo tempo, ver como podemos formar mais gestores profissionais, para os acionistas não terem de pagar salários tão elevados aos gestores.” O que traz de novo ao acordo entre empresários o Governo. Porque “precisamos de um aumento do investimento em Portugal”, remata Peter Villax.

NÚMEROS

70%

a 80% do tecido empresarial português é composto por empresas familiares, contribuindo para 50% do emprego, estima a consultora PwC

65%

do produto interno bruto é quanto representam as empresas familiares em Portugal, segundo a PwC.

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