Turismo vai acelerar 450 startups no próximo ano

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Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo. (Fotografia: Paulo Spranger/ Global Imagens)

Turismo

Orçamento do Turismo de Portugal para apoiar startups sobe para 1,5 milhões no próximo ano

O Governo quer posicionar Portugal como um “país hotspot para localização de investimentos e desenvolvimento de novos negócios” também no turismo e, para isso, no próximo ano, quer acelerar pelo menos 450 startups deste sector, adiantou Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, em entrevista ao Dinheiro Vivo, à margem da Web Summit. O Turismo de Portugal vai reforçar de 1 para 1,5 milhões o programa de aceleração em 2019.

Uma subida face às 350 startups abrangidas este ano através de 15 programas realizados por todo o país. Em 2016, decorreram 11 programas e foram apoiadas 250 startups.

“Resultado da projecção que estes programas têm tido internacionalmente, a Organização Mundial do Turismo (OMT) escolheu Portugal para ser o seu parceiro institucional num grande programa/concurso de aceleração de startups de turismo internacionais”, revela Ana Mendes Godinho. “Portugal vai acolher 3 startups ganhadoras do concurso para desenvolver o seu negócio em Portugal.”

Na Web Summit estiveram empresas que revolucionaram o setor do turismo, TripAdvisor, Booking. O que falta às startups nacionais para chegar a esse patamar de disrupção?

Já temos muitas startups nacionais a desenvolverem negócios completamente inovadores, basta ver a Farfetch, como deu a volta e se mostrou com capacidade de ter um negócio completamente disruptivo. No turismo criámos o programa Turismo 4.0, em que uma das linhas de intervenção são programas de aceleração em todo o país. No ano passado, neste programa de aceleração tivemos 250 startups, este ano estamos com 350 e o objetivo é para o ano termos mais, pelo menos mais 100. Temos neste momento 15 programas de aceleração a acontecer em todo o país, em torno de turismo natureza, acessível ou de turismo sustentável, para responder aos desafios do turismo para os próximos 10 anos.

Resultado da projecção que estes programas têm tido internacionalmente, a Organização Mundial do Turismo (OMT) escolheu Portugal para ser o seu parceiro institucional num grande programa/concurso de aceleração de startups de turismo internacionais. Portugal vai acolher 3 startups ganhadoras do concurso para desenvolver o seu negócio em Portugal. É prova deste reconhecimento internacional de Portugal, como país inovador.

Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo. (Fotografia: Paulo Spranger/ Global Imagens)

Estive na feira de turismo em Londres, a World Travel Market (WTM), e veio ter comigo um dos maiores operadores de golfe mundiais, que estava a equacionar abrir instalações de desenvolvimento de negócio aqui em Portugal, porque sentia que havia recursos técnicos altamente qualificados em termos de tecnologia, no digital e em línguas. É também é uma oportunidade para nos posicionarmos cada vez mais como um país hotspot para localização de investimentos e desenvolvimento de novos negócios.

A Portugal Ventures tem a decorrer uma Call de 18 milhões para turismo. É suficiente para sustentar esta dinâmica de startups? Que tipo candidaturas gostaria que surgissem?

Se é suficiente, vamos avaliando. Nunca foi lançado uma Call de 18 milhões para startups e produtos turísticos, portanto, vamos avaliar e ver que projetos surgem. A par disto lançámos outros instrumentos financeiros para ajudar as startups e temos uma equipa no Turismo de Portugal dedicada a acompanhar o ciclo de vida das startups. Lançámos no mês passado o NEST, o Centro de Inovação do Turismo. É um centro com a chancela da OMT, precisamente, para ser uma plataforma de encontro entre a indústria tradicional e as startups, para garantirmos que as startups conseguem escoar os seus produtos e respondem às necessidades da indústria turística tradicional.

Na Call da Portugal Ventures identificámos os desafios que queremos que sejam respondidos e que estão completamente alinhados com a estratégia turismo 2027.

Quais são eles? Desde logo sustentabilidade ambiental, na dupla vertente social e ambiental mas também de coesão territorial.

Estas startups têm sido fundamentais para que isto aconteça. Tínhamos cerca de 400 empresas de animação turística em 2015 em Portugal. Empresas de animação turística são as que desenvolvem o software da atividade turística, do de surf, às atividades de passeios a pé, de bicicleta ou de enoturismo. Tínhamos cerca de 400 em 2015. Neste momento, temos 5400. Mas também que na Call as startups respondam ao desafio da digitalização.

É fundamental que a nossa oferta, não só a hoteleira ou de alojamento tradicional, mas também a de experiências e daquilo que se pode conhecer em todo o país em termos culturais, de turismo natureza, esteja online. O que não estiver online não está no mundo

Desde 2016 o Turismo de Portugal está a levar startups às feiras onde participa. Até que ponto isso se tem concretizado em negócio para as startups?

Tem sido extraordinário o feedback. Dou-lhe um exemplo. A IndieCampers, uma startup que tem caravanas, que aluga a turistas, foi connosco em 2016 à ITB de Berlim. No ano seguinte, o mercado alemão transformou-se para IndieCampers um dos seus mercados prioritários, e eles próprios sentiram que tinham capacidade de ter uma presença paga por eles num stand em 2017. Muitas destas startups que estão a ir, nesta sua presença nas feiras internacionais estão a fazer parcerias com a nossa oferta nacional, a criar pontes com as outras empresas turísticas nacionais já mais consolidadas e, por outro lado, a estabelecer contactos com redes e cadeias internacionais que procuram soluções inovadoras. E Portugal é o único país que está a ir com esta área de inovação a estas feiras.

Esta semana na feira WTM, em Londres, estiveram connosco quatro startups. Uma delas é uma startup, que começou por ir connosco às feiras em 2016, e já está a ser acelerada pela Portugal Ventures. É uma empresa de carros elétricos para levar turistas a descobrir o território mas que têm acoplado no carro uma câmara associada às redes sociais. O próprio turista vai partilhando na suas redes sociais toda a visita que faz num veículo eléctrico. Junta tudo: sustentabilidade ambiental, a fórmula de mobilidade, leva os turistas a descobrir o território e, uma faceta fundamental para nós, o turista a partilhar nas redes sociais. Quando o turista está a fazer a partilha nas redes sociais está a fazer a promoção internacional de Portugal.

Por Ana Marcela

12.11.2018

Fonte: shr.pm/PfZz5

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